sábado, 23 de maio de 2015

Richa e o crime de lesa-juventude

Sábado, 24 de maio de 2015.
Professor Hermes Silva Leão
Presidente da APP-Sindicato
Um dos aspectos mais graves está relacionado com o tema da Educação Pública e o atendimento a cerca de um milhão de adolescentes, jovens e adultos nas 2.200 unidades escolares da rede básica do Paraná. Pela primeira vez, em uma segunda greve no mesmo ano letivo, as(os) Professor(as)es e Funcionárias(os), resistem bravamente a toda sorte de ataques absolutamente autoritários feitos pelo governador Richa e sua equipe. Este governo tem usado o expediente de assediar, perseguir, ameaçar com faltas e desconto de salários, usado de propaganda de que a greve é de natureza político-partidária para promover desgaste do governo, violência física, psicológica e educacional. Resistimos e resistiremos a estes ataques.
Também pela primeira vez em 68 anos de história de lutas da APP-Sindicato, um governador buscou o Poder Judiciário para tentar impor o fim do movimento de greve pela força judicial. Como se vê, não há comparativos com governos anteriores. Trata-se de um Estado de exceção, identificado com os anos de chumbo da ditadura civil/militar brasileira, aliás quem viveu no serviço público paranaense os 21 anos de ausência da democracia considera esta conjuntura mais violenta do que a vivida naquele período.
Ao não garantir direitos mínimos como reajustes salariais previstos em lei, o que pretende o governador Richa? Obrigar o retorno dos educadores às escolas sem essas pautas atendidas, possibilitará que tipo de sentimento e dedicação ao trabalho?
Aliás o governador fere o direito de greve previsto na Constituição Brasileira, mas se desobriga de cumprir as leis! Que estado é este?
No dia 19 de agosto do ano passado durante a campanha eleitoral o candidato a reeleição Beto Richa compareceu ao debate organizado pela APP-Sindicato, reafirmou compromissos com os direitos dos educadores, com a infra-estrutura escolar, formação continuada, tempo integral, entre tantos outros.
E principalmente reafirmou seu compromisso com a geração de adolescentes e jovens que tem na escola sua porta de entrada para a vida em sociedade e para o exercício da cidadania. O conhecimento é o principal passaporte para a emancipação humana numa sociedade ainda tão violenta e desigual como no Brasil e no Paraná. Esta mesma geração sabe que nas atuais condições da educação paranaense, de precarização e descaso governamental, não há garantias de um ensino de qualidade.
Ao penalizar os educadores, penaliza também a educação e igualmente toda esta geração que espera voltar para as escolas e prosseguir seus estudos. O governador e sua equipe deveriam ser denunciados pelo crime de lesa-esperança e lesa-juventude!
Professor Hermes

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